Dr. João Lagoas Gomes
Dr. João Lagoas GomesReumatologia
Doenças Reumáticas

Patologias

Informação detalhada sobre as doenças reumáticas mais frequentes — diagnóstico, apresentação clínica e abordagem terapêutica.

Artrite Reumatoide

Artrite Reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença autoimune que se caracteriza pela inflamação das articulações e que pode conduzir à destruição do tecido articular e periarticular.

A forma de apresentação mais comum da doença é a poliartrite das pequenas articulações das mãos e pés, mas qualquer articulação do corpo pode ser afetada. Para além das articulações, e especialmente nos casos mais graves e de longa duração, pode existir envolvimento de outros órgãos e sistemas, nomeadamente o pulmão (doença pulmonar intersticial), os olhos (episclerite) ou os vasos sanguíneos (vasculite).

É uma doença crónica porque não tem cura, mas se eficazmente tratada, tem bom prognóstico vital e funcional. Nos últimos anos, assistiu-se a uma melhoria substancial no seu tratamento.

A supressão da inflamação nos estágios iniciais da doença, ou seja, o tratamento precoce, tem a capacidade de parar o processo inflamatório associado à doença, resultando na melhoria a qualidade de vida a longo prazo.

A experiência e conhecimento técnico do médico assistente é fundamental para conseguir um tratamento que, para além de ser seguro e eficaz, respeite a individualidade de cada doente.

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Lúpus Eritematoso Sistémico

Lúpus Eritematoso Sistémico

O lupus eritematoso sistémico (LES) é uma doença crónica autoimnue que, como o próprio nome indica, pode ter um envolvimento sistémico, afetando diversos órgãos e sistemas do corpo humano. No entanto, o espectro de gravidade da doença varia muito, podendo ser apenas uma doença circunscrita à pele ou, nos casos mais graves, afetar órgão vitais, como os rins ou o sistema nervoso central.

Entre os sintomas mais frequentes desta patologia encontram-se a fadiga crónica, a dor articular (artralgia) com ou sem inflamação articular (artrite), as lesões da pele sensíveis ao sol, como o rash malar em forma de borboleta, o fenómeno de Raynaud (palidez das pontas dos dedos), os sintomas gastrointestinais e os sintomas respiratórios, como a falta de ar (dispneia) ou a tosse persistente.

O diagnóstico é feito com base nas manifestações clínicas e nos resultados de exames laboratoriais. O diagnóstico nem sempre é fácil, dada a grande variabilidade de sintomas associados a esta doença. No entanto, o diagnóstico não pode ser baseado apenas nos resultados dos exames laboratorial.

O tratamento depende das manifestações clínicas, mas de uma forma geral, utilizam-se fármacos imunomoduladores que ajudam a controlar a atividade inflamatória da doença. A implementação de estratégias terapêuticas com vista à remissão clínica no Lupus veio aumentar significativamente a esperança média de vida e a qualidade de vida dos doentes. No entanto, cada caso é único e a estratégia terapêutica deve ter sempre isso em conta.

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Osteoartrose

Osteoartrose

É uma doença articular degenerativa crónica, que se caracteriza pela degradação progressiva da cartilagem e outros componentes da articulação com consequente dor, rigidez e perda de mobilidade articular.

Na maioria dos casos, é uma doença que evolui ao longo de vários anos e cuja prevalência aumenta com a idade, sendo muito frequente após os 65 anos. É a doença reumática mais comum e estima-se que irá afetar 1 em cada 3 pessoas nas próximas décadas.

A idade não é o único fator de risco para o desenvolvimento desta patologia. Fatores relacionados com o estilo de vida, como a exposição ao fumo do tabaco, a obesidade, o tipo de profissão ou ocupação, a história de traumatismos de repetição ou fratura prévia são todos fatores de risco muito importantes. Também algumas doenças como a artrite reumatoide, o lupus, a artrite psoriática ou a hemocromatose são causa de osteoartrose, especialmente em indivíduos mais jovens.

As localizações mais frequentes são o joelho, a anca, a coluna vertebral e as mãos.

Não existe nenhum tratamento que tenha provado ser eficaz a reverter as alterações estruturais associadas a esta doença. No entanto, se for implementada uma abordagem terapêutica multidisciplinar, onde a integração de terapêuticas farmacológicas para alívio da dor, da fisioterapia e exercício físico para fortalecimento muscular, a modificação do estilo de vida e, em casos selecionados, intervenções intra-articulares, pode haver lugar a melhoria significativa da dor e funcionalidade, com preservação da qualidade de vida do doente.

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Osteoporose

Osteoporose

A osteoporose é uma doença generalizada do esqueleto que se caracteriza pela diminuição da densidade mineral óssea e alterações da qualidade do tecido ósseo, conduzindo a um risco aumentado de fratura.

É uma doença silenciosa, não causa qualquer sintoma até à ocorrência de fraturas, o que já é tarde demais.

A diminuição da massa óssea está intimamente ligada ao aumento da idade e, nas mulheres, a um conjunto de alterações hormonais relacionadas com a menopausa, mas existem outros fatores de risco.

Estima-se que nos próximos anos a prevalência desta doença aumente muito devido ao envelhecimento da população. O objetivo do tratamento é evitar o aparecimento de fraturas e envolve estratégias não farmacológicas (como o exercício físico e a suplementação com cálcio e vitamina D) e terapêuticas farmacológicas.

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Fibromialgia

Fibromialgia

A fibromialgia é uma doença que se caracteriza por dor generalizada, ou seja, dor localizada não só nas articulações, mas também nos músculos, tendões, ligamentos e ossos.

Para além da dor, são frequentes outros sintomas como as alterações do padrão do sono, a fadiga crónica, as parestesias (formigueiros em diferentes partes do corpo) ou a depressão, entre outros.

O mais importante para o diagnóstico é a história clínica e o exame físico, o que reforça a importância da experiência e competência do médico assistente.

A fibromialgia não deforma as articulações, não compromete órgãos internos, não necessita de intervenções cirúrgicas e não retira um dia de vida ao doente, mas retira qualidade de vida. Os objetivos dos tratamentos são o alívio da dor, reduzir a ansiedade, melhorar o sono e melhorar a qualidade de vida.

Para isso, é necessária uma abordagem multidisciplinar, onde o doente deve ser o centro de todas as decisões e intervenções terapêuticas.

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Espondilite Anquilosante

Espondilite Anquilosante

A espondilite anquilosante é uma doença reumática inflamatória que, como o próprio nome indica, tem como mecanismo fisiopatológico a inflamação da coluna vertebral (espondilite) e a formação de sindesmofitos (anquilose). Pertence a um grupo mais alargado de patologias reumáticas, as espondilartrites, que têm em comum um conjunto de características clínicas e genéticas.

Os sintomas têm início entre os 20 e os 40 anos de idade, mas geralmente passam vários anos até se chegar a um diagnóstico — média de 7 anos de atraso no diagnóstico. O sintoma cardinal da doença é a raquialgia crónica (dor de costas com mais de 3 meses), de ritmo inflamatório, ou seja, agrava com o repouso, é mais intensa na segunda metade do sono e ao acordar, melhora com o exercício e está associada a rigidez matinal prolongada (≥ 30 minutos).

O tratamento farmacológico baseia‑se em anti‑inflamatórios não esteroides, que muitas vezes necessitam ser tomados diariamente. Estes fármacos, ao contrário de outras doenças, têm um efeito não apenas sintomático, mas também modificador da doença: está provado que reduzem a atividade inflamatória e atrasam a evolução da anquilose.

Nos casos refratários, existe indicação para início de terapêutica imunossupressora. A prática de atividade física regular, com foco especial no treino de postura e flexibilidade e, em casos selecionados, a fisioterapia, são muito importantes para manter a mobilidade e funcionalidade.

É importante o doente estar alerta para os sintomas desta doença e procurar a ajuda de um reumatologista, dado que o atraso no diagnóstico é o maior obstáculo ao sucesso do tratamento.

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Artrite Psoriática

Artrite Psoriática

A Artrite Psoriática é uma doença crónica, inflamatória, autoimune que ocorre em cerca de um terço (30%) dos doentes com Psoríase, mas que pode ocorrer por si só, em doentes sem história prévia de psoríase.

Tem uma apresentação clínica muito variável: pode afetar tanto as articulações periféricas (dos membros) como o esqueleto axial (coluna vertebral), os locais de inserção dos tendões no osso (entesite) ou as estruturas tendinosas (tenossinovite).

Pode ainda causar envolvimento ocular com conjuntivites e uveítes. Se não for apropriadamente tratada, associa-se a deformidades articulares, anquilose da coluna vertebral e outras alterações estruturais do sistema musculosquelético que culminam em incapacidade física permanente e redução drástica da qualidade de vida.

Felizmente, nas últimas décadas assistimos a uma melhoria muito significativa do acompanhamento e tratamento desta doença, com a introdução de ferramentas para diagnosticar cada vez mais cedo e novos fármacos com eficácia superior. Quanto mais cedo se iniciar tratamento, melhor será o prognóstico a longo prazo.

O tratamento deve ser sempre ajustado a cada caso: deve-se ter em conta a importância do componente não farmacológico e a mais valia na partilha da decisão terapêutica com o doente.

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Gota e Pseudogota

Gota e Pseudogota

A gota úrica é uma doença reumática inflamatória causada pela acumulação de cristais de ácido úrico (monourato de sódio) nas articulações e outros tecidos moles. Esta acumulação tem lugar quando existem níveis elevados de ácido úrico no sangue, denominada de hiperuricemia.

A doença afeta geralmente 1 articulação e evolui por surtos, ou crises. Se a hiperuricemia não for tratada, estas crises tornam-se mais frequentes, afetam mais articulações e duram mais tempo, podendo mesmo evoluir para um quadro de artrite permanente e debilitante. Nestes casos, é também frequente a acumulação de cristais de ácido úrico nos tecidos moles periarticulares, denominados de tofos gotosos.

O tratamento passa pela instituição de terapêutica anti-inflamatória para controlar as crises e, no longo prazo, controlar o nível sérico de ácido úrico, com o objetivo de evitar a recorrência dos sintomas. Isto é conseguido através de medidas dietéticas, alteração do estilo de vida e de terapêutica farmacológica, quando necessário.

Salvo nos casos mais graves em que a artrite se tornou persistente, o doente com Gota Úrica não deve ter qualquer sintoma da doença.

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Polimialgia Reumática

Polimialgia Reumática

Trata-se de uma doença reumática inflamatória, relativamente comum, que afeta quase exclusivamente pessoas com mais de 60 anos de idade.

Caracteriza-se pelo aparecimento relativamente repentino de dor intensa, referida aos ombros, região cervical e ancas, que se associa a rigidez matinal, levando alguns doentes a descrever dificuldade em levantar os braços de manhã ou a sensação de ter um "colete" a apertar os ombros e pescoço. A doença geralmente causa grande limitação, podendo impedir a pessoa de realizar tarefas simples do seu dia-a-dia.

Cerca de 15% dos doentes com polimialgia reumática podem desenvolver outra patologia chamada arterite de células gigantes, onde é frequente a perda de visão. Por este motivo, os doentes devem estar atentos a alterações recentes na visão e, se isso acontecer, deverão consultar rapidamente o seu médico.

O tratamento consiste na rápida instituição de corticosteroides em dose baixa. A maioria dos doentes nota uma melhoria muito marcada dos sintomas ao fim de poucos dias de tratamento. A duração média do tratamento é de 18 a 24 meses.

Se esta doença não for tratada pode levar a incapacidade física grave. Felizmente, a maioria dos doentes responde muito bem à terapêutica instituída e o prognóstico geral a longo prazo é bom. É de extrema importância a experiência do médico para fazer o diagnóstico correto e gerir as potenciais complicações associadas à doença e ao seu tratamento.

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